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Barriga Ostentação by Pitty
10/08/2016, 3:55 pm
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Sabe, eu não sabia se ia gostar de estar grávida. Eu queria ter filho com certeza, mas eu tinha dúvidas se iria gostar de passar por todo o processo de uma gravidez. Ao contrário da visão romantizada dos filmes e revistas, na minha fantasia era uma coisa muito difícil, uma renúncia gigantesca, especialmente  com minha profissão e estilo de vida. Viajando tanto, gostando da noite, imaginava minha vida social desmoronando e tudo que eu sabia indo junto. Era o medo de me afastar da única eu que eu conhecia até então e que havia construído através de todos esses anos; e de ter que me deparar e conviver com essa nova eu que eu não sabia se era gente fina ou uma chata de galocha. Na minha fantasia, a gravidez podia ser uma coisa solitária, entediante, idílica demais para a minha natureza selvagem. Lá no fundo, eu percebia mas negava o egoísmo e a arrogância contidos nesses sentimentos, como se eu fosse boa o bastante pra nem pensar em querer mudar.

Eu nunca podia imaginar o quanto estava enganada.

Ainda bem que passei por isso e pude, como se diz no popular, “pagar a língua”. Eu tô amando estar grávida. Amando, amando, besta, apaixonada. De ficar horas observando mexer, conversando, me admirando no espelho. Achando lindo e fascinante. Me achando bonita apesar das mudanças físicas, ou melhor, por causa das mudanças físicas. O olhar, os quadris que alargaram, os peitos cheios, o umbigo querendo pular; tudo lindo.
Tudo o que eu imaginava que seriam motivos para não gostar de estar grávida foram sendo desconstruídos um a um, mês a mês. De fato, no comecinho é uma solidão tremenda- pelo menos pra mim foi. Ainda não podia falar, tinha que me proteger, e todos saindo e vivendo suas vidas e eu aqui sozinha com meu segredo. E a bagunça hormonal botando pilha nessa sensação. Mas logo depois isso foi sendo substituído por outras coisas, e eu fui completamente tomada pelo gestar. O segundo trimestre é, de fato, a delícia que dizem. Barriguinha despontando, a pele linda, começando a preparar enxoval. Me entreguei completamente, e tudo ficou mais fácil. Que delícia pensar em roupinhas, em quarto, entrar em contato com todo esse mundo novo. Tudo muito novo! As amigas já mães salvando o rolê, tirando dúvidas, conduzindo. A sororidade e o aprofundamento do encontro com o feminino, a conexão com as outras mulheres.

E aí aconteceu uma coisa muito estranha: eu fiquei muito exibida. Quando vi, estava fazendo fotos e querendo postar isso o tempo todo, numa vontade louca de botar essa barriga no mundo. Será que foi uma reação ao recolhimento forçado por causa do repouso? Ou será que foi pela sensação de conquista, de poder vivenciar isso? Ou talvez só felicidade desmedida e vontade de falar sobre esse fascínio mesmo. Um empoderamento muito grande, quem sabe essa vontade veio daí?
Seja lá o que fosse, era tão atípico que me fez refletir: logo eu que sempre fui discreta e reservada, agora estava aí esfregando essa pança na cara da sociedade. Fiquei barriga ostentação.

Bom, eu sou essa coisa que racionaliza tudo e você pode imaginar tamanhos dilemas nesse caminho: um eterno posto/ não posto, será que sim ou que não, mas quero viver isso e não me reprimir, mas tenho que me preservar porque tem gente sem-noção e invasiva que acha que porque viu uma foto já é íntimo seu.

Resultado: me joguei nessa vontade. Com todos os dilemas junto; dei voz a esse novo desejo e tentei entendê-lo.
E também porque já me disseram que passa super rápido e depois a gente sente saudade, então vou mesmo aproveitar essa barriga até a última gota.

PS- Outro lance real é que o terceiro trimestre é osso duro. É tudo difícil, dói quadril, não tem posição, vontade de ficar de pijama o dia todo; um mau humor do cão e uma irritação que só por jah, viu. Mas eu tô de boa até com essa parte, só porque faz parte. Vivendo o pacote completo.

PS 2- Um pensamento que me vem o tempo todo também: uma coisa sou eu, adulta, responsável por minhas ações e minhas fotos. Outra coisa é a privacidade de uma criança. Uma vez fora da barriga a proteção tem que ser máxima mesmo, na minha opinião. Se agora já tem gente que não se toca e fica stalkeando e divulgando informações privadas, querendo saber mais do que deve, dando “conselhos” absurdos; imagine depois? Pois desde já afastando gente desse tipo. Carinho, amor e pensamentos positivos a gente aceita, agradece e retribui. Os invasivos e folgados a gente mantém beeem longe.


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Que fofo….

Comment by Alex Lope Vargat dos Santos

Ownt,
Que delícia imaginar essas transformações.
Muita energia boa pra família. Muito chêro nessa neguinha <3

Comment by twvlu

Coisa mais linda esse espaço, essa apresentação toda dessa outra faceta. Parabéns pela criança interior, curte demais, pois o que vem pela frente é ainda melhor, mas tudo tem um gostinho único que dá muiiita saudadeeeee

Comment by verena.peres

É tão legal ler a expressão de uma mãe, descrevendo cada momento e compartilhando a sua felicidade! Como é muito bom ser fã de uma pessoa que compartilha esse momento conosco! Eu penso muito nesse lado social, acredito Q é por isso Q não quis um bebê até agora, mas pensando por esse lado que vc descreveu, me deu até uma vontadezinha!!!!
O mais especial é ler esse texto no dia no meu niver, um presentão!!! Principalmente em saber Q está tudo bem! Curta muito esse momento, tudo passa muito rápido! Está rolando um papo que a Madalena nasceu!!! Q ela tenha muita saúde, te encha de alegrias! Muitas felicidades para vc e para sua família!!!
Sabe Q as leoninas são as melhores! bjs!

Comment by Vivian

Muito bom ter compartilhado isso conosco. Desejo muita saúde a familia e q todos os respeitem. Bjs

Comment by Prylopes

Felicidades, Pitty. 😉 Que tudo seja maravilhoso para você e sua neném.
Convivo com muitas mães e acho normal essa animação e “exibicionismo” no primeiro filho.Curta mesmo. Acho que quando um filho é desejado e a pessoa está aberta a vivenciar a maternidade, a experiência deve ser legal mesmo. O querer faz toda a diferença.
Tudo de bom!

Comment by Jane JC

Pitty, minha cara, que belas palavras: que fase de renascimento, tal qual previsto em sua arte. Como a arte está mesmo sempre a frente da vida, embora partindo dela. Como a realidade gera a arte. Como a morte – aquilo que vai – gera a vida – aquilo que chega.
Depois, aproveito, mais uma vez, a oportunidade e digo da minha pesquisa ligada à USP, no Departamento de Semiótica e Linguistica Geral, em que estudo o álbum de canção SeteVidas: como cada canção, tal como os vários capítulos de um livro, tem seu lugar preciso e significante no todo álbum – que, inclusive, traz em sua palavra dicionarizada, a noção de compilação – daí, trata-se o álbum de uma compilação a partir de determinado tema – no caso, a canção que, não à toa, nomeia o álbum; depois, como a letra reverbera na melodia – forma e conteúdo -; bem como a linguagem verbal e musical transforma-se na visual – que é o encarte de abertura, uma espécie de faixada do disco. Isso e muito mais. Continuo no aguardo de um possível contato. Abraços!

Comment by Danyllo Ferreira

Estou na fase 1 disso tudo. Será difícil sair de lá? Casada, 29 anos nas costas e o medo de deixar essa Larissa pra trás pra ser mãe. Amei demais tuas palavras, a forma como se entregou para esse novo momento foi linda! Que vcs estejam muito bem! Todo meu amor e carinho… Sua eterna fã número 1 😉

Comment by Larissilva

Maravilhosa! Só hoje estou lendo o post. Desejo toda energia positiva para você e Madalena! E concordo completamente por a parte de protegê-la da exposição. Fico irritada quando vejo as pessoas pedindo incessantemente para você publicar fotos da baby! Espero te ver em breve nos palcos novamente. Um cheiro! <3

Comment by 013cm

Pitty, vamos falar de política , já viu o sistema criado por Maquiavel , quando ele falava em repúblicas , eu vou colocar aqui , só pra você ficar conhecendo: ….Primeiro ele coloca que o homem vivia no estado de anarquia , depois escolheu um rei entre os fisicamente mais dotados , na verdade isso nasce da Guerra , a aristocracia nasce da guerra(grifos nossos ) , ou ao menos a primeira forma dela , o rei é eleito por ser no começo um melhor guerreiro , surgindo a primeira forma de governo que é a monarquia hereditária , o filho do rei vira um tirano , pois só pensa em seu próprio bem , nisso os homens de melhor valor de seu exército ou sociedade tomam o poder criando a aristocracia , que Aristóteles chamou de governos dos homens de melhores virtudes naturais , com o tempo os filhos desses homens começam a pensar só no bem de si mesmos , e aí surge a Oligarquia que é a degeneração da aristocracia , o membros povo, cansados dos abusos da Oligarquia derruba -a criando um governo de si própria por via de eleições e sufrágio , mas logo surgem do meio do povo demagogos que começam a pensar só em si mesmos , então cai a Demagogia que é a Democracia desvirtuada e volta-se ao estado de anarquia

Ouvi dizer que foi Maquiavel que inventou esse esquema , muito interessante , agora eu começo a entender o Príncipe ,que é um Manual feito apenas para adquiri o poder e mantê-lo de todas as formas possíveis ,para que não se caia de novo na anarquia…

Comment by Alex Lope Vargat dos Santos

Gloriosa!

Comment by damah




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