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Conexões e Entrelaces by Pitty
23/06/2016, 6:39 pm
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Por causa do clipe novo, andei pensando sobre minha conexão com Novos Baianos e vi que ela vai além da música. “Dê Um Rolê” é uma composição de Moraes Moreira e Luiz Galvão. E, pra quem não sabe, Galvão é um dos pais de Peu, meu amigo desde a adolescência e grande guitarrista. São dele as guitarras e os arranjos no Admirável Chip Novo e tocamos juntos também em alguns projetos anteriores. Desse convívio com os irmãos de Peu, na casa deles, com Janete, Galvão e sua banda, bem antes de minha carreira solo, tenho lembranças muito afetuosas.

Paulinho Boca de Cantor é pai de Betão, um baixista magnífico, músico sensível e uma das pessoas mais amorosas de se encontrar. Nos vemos pouco, mas mesmo à distância tenho por ele um carinho de irmão. E quando nos falamos é assim, com esse afeto e esse dengo.

Com Pedro Baby foi a mesma coisa: desde a primeira vez que tocamos juntos, o entrosamento no palco me soou tão natural e instintivo que parecia que eu tinha reencontrado alguém que eu já conhecia. Além de um grande músico- um dos mais talentosos que já conheci- fora do palco tudo sempre fluiu com uma naturalidade familiar. Nana Shara e Zabelê, também filhas de Baby e Pepeu, conheci há um tempão num carnaval em Salvador. E outro dia encontrei Zabelê no Circo e foi como encontrar uma prima ou parente, ela me contando as novidades do seu disco novo e de como estava empolgada com isso. Papo de comadre, como se tivéssemos nos visto ontem.

Lembro também com carinho de Giló e Davi, filhos de Moraes; com os quais já cruzei nas andanças soteropolitanas e musicais.

Eu guardo essas lembranças doces, e hoje todas elas me vieram e mais algumas porque foi como se caísse uma ficha: não sei se por termos a mesma idade e sermos da mesma geração, e muito também por afinidade mesmo, mas o fato é que, especialmente através dos filhos, é como se eu fizesse parte dessa família também. Dessa família musical, ancestral, espiritual, da baianidade nagô que nos liga e da diáspora pela qual cada um teve que passar, de cada história tão rica desses indivíduos que, juntos ou separados, foram e sempre serão uma força da natureza.

Meu eterno amor e gratidão à Moraes, Galvão, Paulinho Boca, Baby, Pepeu, Dadi, Jorginho Gomes e a todos que passaram pela trupe.

Salve, salve; Novos Baianos. <3


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Mano, que bacana essa relação. No nosso TCC sobre você, falamos um pouco dos Novos Baianos e esse post agregará ainda mais. Super legal Pitty. Amo demais seus textos aqui no Boteco.
Tô sendo chato, mas é realmente queremos que nosso trabalho saia bacana. Só precisamos de uma horinha pra bater um papo e finalizarmos nosso TCC. Dá uma força porfa.
https://culturaepontofinal.wordpress.com/2016/06/01/pitty-nos-ajude-pelo-amor-de-deus/

Comment by correiat

Eu também queria ter um bloguinho como o seu , cheio de videos e fotos , eu tenho blogs desde 2007, eu apaguei e comecei outros com o tempo , hoje eu tenho um mas só tem muitas loucuras e um pensamento político revolucionário, o povo gosta de amenidades …como dizia um amigo meu que estudava jornalismo científico …mas o seu é perfeito , sempre agradável , com coisas da sua carreira , bonito ….

Comment by Alex Lope Vargat dos Santos

Regra nº 1: Sempre citar Pitty nos trabalhos acadêmicos!

Comment by damah

Como é doida essa vida!!! Quando resolvi abrir esse blog me deparei com essa história, e logo vieram lembranças das amizades que fazemos ao longo de nossas vidas, e que por força do rumo destas, vão ficando no passado, mas sempre vindo à tona a medida que vamos reencontrando nossos amigos ou mesmo lembrando deles. Pensei em como a vida é feita de “conexões e entrelaces”. Não sou daqueles fãs da Pitty que conhecem todas as músicas por nome, aliás nem as da minha Banda conheço. Mas tal conexão se deu no momento exato em que a vi pela primeira vez na vida e já no palco. Lembro-me bem. O ano era 2002, festa LOUD (Cine Iris), no Rio de Janeiro. Despretensiosamente admito. Um amigo meu trabalhava na festa, e me convidou para dar uma chegada por lá. Fomos eu e minha namorada, hoje minha esposa e mãe da minha princesa. Tão logo botei os pés naquele lugar, encontrei meu amigo, e ouvi uns acordes que vinham do palco. A noite era do Ultramen, banda do Rio Grande do Sul, com participação do Marcelo D2, salvo engano. Perguntei se já era o show dos caras, e ele vira e fala: “Não André!!! É de uma baiana aí. Tal de Pitty, dizem que é legal!” Pois bem, procurei uma posição privilegiada. Como o Cine Iris tem uma espécie de camarote que vai até acima do palco, assisti o show dali, praticamente dentro do palco!!! Ficamos impressionados, não só eu, mas também alguns outros poucos privilegiados que resolveram deixar os outros andares da Festa para se acomodarem nas cadeiras do cinema abaixo de mim. No primeiro momento em que vi aquela energia pura de cabelos esvoaçantes com pontas vermelhas, saquei que era a tal “baiana” a que meu amigo se referia. Pronto conexão é isso!!! A energia da música, a fluidez da alma. Sem que ela soubesse, ali, há pouquíssimos metros de distância me conectava aquela energia. A Pitty ali era mera condutora dessa energia. Você se conecta as pessoas através dessa energia que se manifesta de várias formas. Bom o resto não preciso contar.
Passados todos estes anos, minha filha, hoje com cinco anos, durante o percurso de idas e vindas da escola ou mesmo em casa vai cantando as músicas da “tal baiana”.
Quem sabe um dia, minha filha, vai construir amizades como as que a Pitty narrou ali em cima, se conectando e se entrelaçando há pessoas, que também andam por aí ouvindo essas mesmas músicas, e que cujos pais, por força maior do destino, também estiveram na Festa LOUD naquela noite inesquecível de 2002.
É a vida se reconectando!!!

Comment by Andre Diavolos




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