prato_do_dia
Segunda-Feira Sem Lei by Pitty
25/04/2011, 12:00 am
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Lá fui eu ano passado fazer o Estúdio Ao Vivo Transamérica, era época de divulgação do Chiaroscuro. No final, uma garota que trabalhava na rádio veio me entrevistar pro site, acho. Papo vai, papo vem; descobrimos livros e músicas em comum. E no meio da conversa, eu confessei: “porra, morro de vontade de ter um programa de rádio, só pra poder tocar coisas diferentes. Rádio é tão legal, e anda tão manjado, sempre as mesmas coisas. Imagina que delícia dar um play aqui e um monte de gente escutar, em vários lugares, e poder dividir informação sobre música e tocar bandas independentes …?”

PLIM. Mágica. Aconteceu.

Essa garota era a Suellen. Me lembro de num dos vários papos francos que tive com a Gislaine-  coordenadora da rádio- ter comentado sobre o quanto tudo estava morno em rádio e dessa vontade que eu tinha. Ela e Suellen já estavam confabulando essas coisas, aí pronto. Juntamos nossos sonhos e nossos delírios e pusemos a mão na massa.

Não queria fazer o programa sozinha, já imaginava que ia ser complicado por causa de compromissos com a banda segurar a onda de toda semana ter um inédito. Num brainstorm, chegamos a mais três nomes: Paulo Miklos, Beto Bruno e Daniel Weksler. Seria um programa comandado por músicos, por gente que acima de tudo AMA música. Rolou assim durante um tempo até que Paulo, ocupado com outros projetos, precisou sair. Continuamos nós três, mas sempre com a maleabilidade necessária: quando um não pode, o outro vai.

E agora esse filhote doido e lindo faz um ano, e eu me sinto realizada. De ver que a coisa está cada vez mais sólida, e principalmente do que considero mais fantástico e delicioso:

poder tocar o que quiser numa rádio que vai pro Brasil inteiro e até pro exterior. Liberdade total, compromisso apenas com a música e a informação. LIBERDADE MUSICAL. Em letras garrafais, com muito, muito orgulho.

Outra coisa que me deixa bem faceira com o Segundinha é o espaço que temos para bandas independentes no quadro Aposta. Toda semana, religiosamente, tocamos uma banda nova. É só mandar o disco, a gente achar legal e pronto. Por termos banda, sabemos como é difícil e quase impossível furar o bloqueio das rádios e ter sua música divulgada; essa parte do programa pra mim é quase que uma redenção.

Engraçado que outro dia conversando com alguém sobre o Segunda Sem Lei, a figura mandou: “pô, legal, deve rolar uma grana massa pra vocês ali, hein?”. Comentei que não, não ganhamos nada financeiramente falando, fazemos por amor. É, cara. As pessoas ainda fazem coisas por ideologia, embora isso soe piegas demais.  O que eu ganho com o programa, além de me divertir e aprender muito sobre música, é pensar que de alguma forma isso pode alimentar pessoas, alimentar cenas. É a beleza de trocar informações, e de saber que nenhuma daquelas músicas ali é vendida ou comprada. É, de fato, um lance puramente emocional. Se toca, é porque a gente gosta. Simples assim.

E aí, pro negócio ficar bonitão mesmo, eu preciso da ajuda de todos. Quanto mais um programa como esse bombar, quanto mais audiência tiver, mais a gente vai poder mostrar que esse formato é possível e bem sucedido. Quem sabe isso se espalha para outros veículos? É preciso ocupar esse espaço com maestria e espalhar essa semente ao invés de ficar sentado com a bunda na cadeira reclamando que “rádio é um saco e só toca as mesmas coisas”, como eu ouço muito por aí.

Por isso divulguem, espalhem, ouçam, contem pros amigos. Bandas e artistas, mandem discos, apóiem; temos um lugar democrático com o qual podemos contar.

BANDAS E AMANTES DE MÚSICA, ISSO É NOSSO. Juntos podemos fazer com que seja grande. Vamos nessa?


Toda segunda-feira, na Rádio Transamérica, às 21h; ou online pelo site http://www.transanet.com.br/

Aqui também: @segundasemlei


PS- Nunca é tarde para comentar o quão foi importante para nós ganharmos o prêmio da APCA de Revelação do Rádio em 2010. Foi um baita dum incentivo e nós somos muito gratos por isso.

PS 2- Luis Guilherme, muitíssimo obrigada por esse espaço tão valioso. Gi, obrigada por ter acreditado e comprado essa briga deliciosa com a gente. Su, valeu pela garra, vontade, pesquisa e pelos capuccinos que filei no seu cartão.

PS 3- Siba, Rosangela, Dinho, Leandro, Denise e toda galera da rádio que nos ajuda a fazer o programa: SEUS LINDO!


(Silêncio) by Pitty
20/04/2011, 12:00 am
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Dias de silêncio. Tô a fim de ficar sem falar esses dias; parte por recomendação médica, parte pela experiência mesmo. Estava pensando nisso faz um tempo, e aí a sinusite atacou, eu trabalhando feito louca- fiquei rouca. Juntou tudo, e é a hora.

Já percebi nesses dois dias o quanto é difícil para alguém como eu ficar calada. É da minha natureza pensar demais e ter sempre opinião sobre alguma coisa, ter sempre algo a dizer. Aí é que mora o exercício. Não emitir opinião sobre nada, não interagir verbalmente com ideias propostas, deixar os diálogos ao meu redor acontecerem sem interferências minhas. Bem difícil.

Estou olhando pelo lado catártico: às vezes encho o saco de mim mesma justamente por essa característica de ter sempre “aquela velha opinião formada sobre tudo”; e esses dias de silêncio me ensinarão como quebrar esse paradigma, e como não obedecer aos meus impulsos verbais. Espero descobrir alguma coisa nova.

Fato é; não falarei, e já senti que precisarei escrever mais do que o normal. Natural que seja assim. De alguma forma preciso dar vazão aos pensamentos, senão enlouqueço. Precisam sair de algum jeito, não dá para mantê-los todos aqui dentro porque eles são muitos e não cabem nesse cérebro minúsculo. Se os deixo aqui, ficam apertados, espremidos, sufocados e confusos. Embolam-se uns nos outros. Atropelam-se. E começam a guerrear entre si por pura falta de espaço.

Existe um agravante nesse exercício. Pra curar de vez essa sinusite vou mergulhar em antibióticos e ficar sem beber, sem festa, sem balada por quinze dias. E tem muita coisa legal pra acontecer por esses dias. Show de amigos. Festas legais. Dá agonia só de pensar que tem um monte de coisa acontecendo lá fora, e eu não. Inúmeras vezes saio e não bebo simplesmente por não estar a fim. A coisa do “não pode” é que me fode. Aí é que eu quero. E acho mais divertido e possível encarar esse mundo patético, nonsense e estaparfúrdio desse jeito. Preciso desse escapismo de vez em quando pra conseguir sobreviver sem me tornar uma megera deprimida e insuportável. Para aguentar essa pantomima chamada humanidade, só estando umas três doses à frente dela.

Porquê não sei ao certo, mas é assim. Talvez seja por conta de abrir os jornais todos os dias e se deparar com notícias impensáveis, de violência, ignorância; ou simplesmente para tentar por alguns instantes se desvencilhar da sensação de tédio e marasmo que permeia uma vida, digamos, correta. Acordar. Cumprir suas obrigações. Dar bom dia às pessoas. Tentar fazer algum dinheiro, pagar as contas. Chegar de noite sabendo que mais um dia na sua vida se passou, e você simplesmente… cumpriu. Todo dia. Todo dia.

Desesperador.

Por isso as eventuais fugas dessa rotina, por isso a necessidade de, em certos momentos simplesmente dar risada de algo bem idiota com os amigos, chorar, dançar feito criança aprendendo a ficar em pé, esquecer por alguns instantes todo o peso do mundo e quem você acha e finge que deve ser, e as cobranças. Por isso, de vez em quando, perder o controle. Já descobri: se não me permito enlouquecer de vez em quando, fico louca de verdade. Não saberia viver somente da parte regrada da vida, é o desequilíbrio que enfim me equilibra.

Existem todas as questões que acompanham este estilo de vida que escolhi. O padrão aceitável como “bom” parece ser o de se pensar a longo prazo; para se ter uma vida longa e saudável é necessário que ela seja contida, calma, sem grandes excessos. A matemática parece ser esta: quanto mais intensidade, mais brevidade. Tenho preferido o rápido e intenso ao longo e chato. Imediatismo, eu sei. Não posso evitar. De que me adianta viver cem anos me privando de tudo que considero prazeroso? Cem anos de tédio, de calmaria? Deus me livre. Portanto, o equilíbrio. Não quero os cem; quero os que tiverem que vir desde que eu não precise abrir mão dos meus pequenos prazeres. Mas também não quero gastar tudo de uma vez a ponto de não brincar nem metade da brincadeira.

Então meu jogo tem sido transitar entre o que eu preciso e o que eu gosto, entre as responsabilidades e as noites em claro, entre os exercícios físicos e o bar. Librianamente descobrindo e experimentando esses limites.

É de nós, é do ser humano. Somos compulsivos e precisamos de válvulas de escape. Pra uns é a comida, o consumismo, o sexo ou as drogas. Para outros é a religião, o vício na endorfina proveniente dos esportes, o fanatismo. Qualquer coisa que nos alivie e nos traga essa (falsa?) ilusão de conforto. Todas essas coisas são formas de escapismo e podem ser boas e ruins.
Só depende do jeito e da dose.