prato_do_dia
Bukowskiando de leve by
27/08/2008, 12:00 am
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Cena 1:

Uma banda chega para almoçar numa churrascaria da cidade. Todos se acomodam na mesa, fazem seus pratos. Eles têm pouco tempo, pois ainda haveria uma passagem de som. Mesmo assim tentam comer tranquilamente e conversam. Corta.


 Cena 2:

Pela direita aproximam-se algumas pessoas, pedem autógrafos e fotos. Eles gentilmente interrompem o almoço e falam com todos. Corta.

Passagem de tempo.


Cena 3:

Mais uma pessoa se aproxima (a mesma, pela terceira vez), caminha em direção ao vocalista e inicia um diálogo:

– Oi, a foto saiu ruim de novo, será que dava pra tirar mais uma?

– Ah, tá, tudo bem, mas dá só pra esperar a gente terminar aqui? A gente já está saindo…

– Mas é que eu estou indo embora também, não posso ficar esperando…

-Poxa, que pena então. Se der, a gente se bate na saída ali, logo mais. Faz de conta que é nosso “horário de almoço”.

– Ah, mas que é que tem tirar logo! Eu sei que você está almoçando, mas são ossos do ofício, né?

– Ossos do ofício…aham, e você, trabalha com o quê?

– Sou dermatologista!

-Ótimo! É que meu amigo baixista aqui tá com uma coceirinha na cabeça do pau, você podia dar uma olhada?

(Cara de escandalizada) – Credo! Que absurdo! Eu nem tô no meu horário de trabalho!!!

– Pois é, gata… ossos do ofício né?

 

 

* Qualquer semelhança com nomes, pessoas ou lugares é, talvez quem sabe, mera coincidência. E viva Bukowski.



Para dentro e avante by
19/08/2008, 12:00 am
Filed under: Sem categoria

Ondas vindo, rápidas, e eu, surfista inexperiente porém ávida, tentando dropar todas elas. A participação com o 3 na massa foi deliciosa. Encontrar os amigos, falar sobre coisas importantes, coisas bobas, coisas todas…e deixar a música dizer tudo aquilo que a gente nunca diz, porque nem sabe como. Saí de lá com a sensação de plenitude que tem sido tão rara ultimamente. Por aí é muito papinho besta, é muito disse me disse, é muita preocupação com amenidades totalmente incolores. Ali, era só encontro e arte.


Essa semana parece ter sido a dos encontros inspiradores, e terminei de filmar o longa da Anna Muylaerte, aonde encontrei com o Lourenço Mutarelli. E falamos de sonhos, de universo onírico, de David Lynch e Tom Waits.  De quem não sonha e mesmo assim tem um diário de sonhos inventados. E de Jung X Freud, e coleção de envelopes fechados; e eu vi que necessito de mais gente interessante assim na minha vida, do contrário eu murcho.


Tenho murchado imperceptivelmente toda vez que gasto meu tempo com gente que não me acrescenta, que me suga. É essa maldita vontade de ser gente boa que acaba comigo. Parece que nesses momentos a gente descobre que tem que ser meio egoísta, porque não há nós mesmos suficientes para todo o mundo. Que seja cruel, mas que seja pela minha sanidade: eu me dôo para quem eu acho que merece. Minha atenção, meu sorriso, meu pesar, meu boa noite serão destinados só àqueles por quem eu me interesso. A questão é que meu ouvido não é penico. A questão é que eu não tenho paciência pra gente superficial e chata. E o tempo passa rápido demais. Não é uma questão de ingratidão; é só que a vida urge e eu preciso aproveitar melhor o tempo que me resta.


Depois veio show em Gramado, e mais encontros. Público, galera das outras bandas, festinha no backstage. E o principal deles comigo mesma, depois de algumas garrafas de vinho, visitando um lugar de mim no qual eu nunca mais havia estado.