prato_do_dia
Papel e caneta by
03/02/2007, 12:00 am
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Eles estão por toda parte. No criado mudo ao lado da minha cama pra anotar sonhos e pensamentos, no banheiro, na escrivaninha, a agenda na minha bolsa, no quarto de hotel. E agora, teclas. Estive com eles mais do q sempre, e por isso, meu  estimado botequim, vc às moscas. Sou assim mesmo caprichosa, só venho qd quero. É que a última Frida Kahlo que baixou em mim me fez acordar na tarde seguinte com rímel borrado até as bochechas, e com cara de quem ainda estava chupando o limão. Humor-limão também.

Escrevendo e pensando sobre como escrever é um tanto egoísta.


No meu caso, necessário e vital; terapia, desabafo, sussurro, perspectiva, entendimento. Não é por maldade, é que não tem como ser diferente. Qualquer um que escreva vai fazer isso sob sua própria ótica, seu ponto de vista. Mesmo que esteja contando uma história que não a sua, é inevitável. E quando o papel e a caneta se tornam ouvidos amigos então…

Meus rabiscos quase sempre tiveram característica confessional, herança-costume-gosto dos tempos de meu querido diário; ou talvez eu só saiba (verbo entre aspas é óbvio) falar do que eu sinto, do que eu vejo, do que eu quero. Meu mundinho que é tão insignificante, menos pra mim. Meus sentimentos mais vis, meus piores lados, coisas que não admito nem pra mim mesma, o papel sabe. Numa tentativa de me resolver, vou gastando linhas e linhas. Anos e anos a fio.


Já tentei me livrar deles, os diários, e certa vez construí uma enorme fogueira com todos queimando lindamente, palavras e mais palavras, e papéis de bala e canhotos de cinema e ingressos de shows e bilhetinhos que me fizeram rir ou chorar, e lembranças, lembranças em labaredas gigantes. Mas depois voltei, não deu. Não deu pra ficar longe da única coisa que atura minha visão preto e branco do mundo, minha rabugice eterna; que me ouve sem reclamar e não enche meu saco com julgamentos morais nem conselhos de meia tigela. E ali eu posso ser chata, ser nobre, ser linda, me achar horrível, estar piegas, dizer clichês, criar frases incríveis,defender uma causa perdida, me fazer de santa e de puta, livre, livre, livre.