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Segunda - 15/10/2007
Amor em tempos de ceticismo

Pirando num livro de um cara chamado Alain de Botton. Se alguém o fosse descrever, talvez dissesse “é um livro que fala de amor”; e essa seria uma definição que muito provavelmente me afastaria desse livro. Porque eu sinto que falar bem de amor é algo quase impossível nos dias de hoje. Porque as últimas coisas que eu li sobre esse tema não me trouxeram nada de novo e eu achei sacal aquele amontoado de lugares-comuns superficiais, e fez com que lá no meu íntimo eu considerasse esse papo bem chato e irrelevante. É um assunto óbvio. E conseguir olhar diferente pra algo óbvio é bem difícil. Mas eis que me deparo com esse livro, que é a história de um triângulo amoroso só que contado sob um ponto de vista bem filosófico. E é aí que a coisa fica mais intensa. Ele se dedica a decifrar a personalidade dos personagens numa viagem psicológica através dos pequenos atos e pensamentos e aspirações românticas de cada um, utilizando citações e referências de vários pensadores. Tô no comecinho, mas já fui fisgada. Este livro me caiu nas mãos por meio de uma amiga, que compartilha comigo não somente o gosto por coisas desse tipo mas também a sensação de que eles, os livros, devem correr mundo e passar por pessoas diferentes; e ainda a mania de grifar frases e sentenças que chamam a atenção. Contei a ela que sempre me senti meio culpada por isso, por sublinhar e fazer anotações nos rodapés de todos os livros que realmente me tocam. Achava que podia os estar estragando, maculando com meus próprios pensamentos os escritos de outro alguém, ou pior: condicionando o próximo leitor a prestar atenção em coisas que eram importantes só para mim. E, ao contá-la isso, me dei conta de um medinho lá no fundo. Grifar nos revela. Ela concorda, mas não acha perigoso. Acha que grifar nos revela de algumas maneiras que abrem outras perguntas. Eu vou ler este livro na vibe dele, sem pressa. Parando de vez em quando e fechando a página pra ficar olhando pro nada. Ela também lê com calma; volta umas páginas, escreve partes num pedaço de papel e guarda na carteira.

 

Em tempo: o livro se chama “O Movimento Romântico”.

 
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