Eu, tentando aprender e aceitando os desafios e as coisas inusitadas. Ele, mestre.
E foi assim que do nada ( ou do tudo), o Zé Ramalho me convidou para cantar uma música em seu novo disco. Aceitei, num misto de honra e receio. Honra, estar ao lado do cara que criou clássicos como Chão de Giz, Ad. Gado Novo, Garoto de Aluguel, Avohai. Que fez história com a psicodelia nordestina e com aquele timbre de voz profundo e inconfundível. Lírica lúdica e repleta de imagens. Receio, de não dar conta, da responsa, de saber que é algo muito diferente do que estou acostumada a fazer. Aquela paurazinha gostosa que se sente diante do novo. Mas topei, o inusitado me atrai. E aconteceu.
Cheguei no estúdio e o papo rolou agradável, já o tinha conhecido no show da gente no Canecão, e já fomos escutar a música, tentar umas vozes. Robertinho do Recife produzindo. Fui me achando aos poucos na melodia, me encontrando naquele ritmo e naquela levada que não é a minha de costume, deixando q viesse de forma orgânica, primal. Sem me preocupar com rebuscamento. Abrindo a boca e vendo que som sai.
Terminamos, mais conversa, bolo de chocolate, referências, o Bob Dylan do Nordeste.
Junção inesperada, e pra alguns até esdrúxula, mas, percebo: enriquecedora. Extrapolar o “gueto”, o segmento, saber que existem músicos como ele de outra geração e de outro estilo musical que de alguma forma prestaram atenção e valorizaram o que a gente estava fazendo é maravilhoso. E o mundo é muito grande...
Fui embora com a sensação de ter ganho mais um presente esse ano. |