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Sexta - 26/02/2010
Early Days
Estava aqui me lembrando que por volta dos doze ou treze anos um amigo gravou pra mim uma fita cassete. De um lado AC/DC, do outro Accept. O começo de Hells Bells me dava cosquinha nas entranhas, e eu ainda não sabia direito o por quê. Nessa época,  em que comecei a ter autonomia musical e gosto mais específico, minha coleção envolvia basicamente cinco fitas cassete. A já acima citada, uma do álbum preto do Metallica, outra com The Wall do Pink Floyd, Appetite for Destruction do Guns e uma última coletânea de Raul Seixas que eu havia surrupiado do restaurante do meu pai. Eis a minha incrível e preciosa coleção musical aos treze anos. E tudo copiado dos amigos, claro. Além do básico “no money, no funny”, em Porto Seguro havia apenas UMA loja de discos onde os lançamentos chegavam com defasagem de quase um ano. Sim, nas rodas de violão tocávamos Legião Urbana, Titãs e Plebe Rude, mas o ÁPICE  da bagaça era quando alguém puxava Patience. Eu e minhas fitas cassete passávamos muito tempo juntos;  minha onda era fazer os backings vocais e segundas vozes  de Confortably Numb em embromês, porque eu não tinha o encarte e não existia o Google. E imitar os trejeitos de James Hetfield. E dançar que nem o Axl com bandana na cabeça.
Sobrevivi algum tempo nessa muamba musical até que um dia comecei a trabalhar, por volta dos quinze, e finalmente tive dinheiro para comprar meu primeiro CD. Emoção, delírio, vontade, corre pro supermercado e procura algo que caiba no meu salário de estagiária de office-girl. Lá estava ele: uma coletânea de Janis Joplin, no saldão do balaio por provavelmente 9,99. Ué, todos temos que começar de algum jeito, não é verdade?
 
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