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Terça - 21/10/2008
wannatogobacktobahia

A falta de tempo me persegue, mas eu PRECISO deixar registrado o final da epopéia que, no post anterior, estava só começando. De lá, depois de tocar no Canecão com Arnaldo Antunes – que aliás foi uma delícia-  fomos pra Salvador. E direto do aeroporto pro Pelô. Imperdível o BoomBahia e o Mudhoney. A galera da equipe tava meio preocupada com essa coisa de eu ficar no meio do povo, mas fiz questão de explicar pra eles que ir a shows de rock em Salvador foi tudo que eu fiz a minha vida inteira, e não era agora que eu ia deixar de fazer isso. Não é que eu não tenha consciência de que minha vida deu uma mudada, mas não fazia o menor sentido pra mim depois de ter vivido tudo aquilo, de ter tocado no Novo Tempo, no Creole Cajun, Hotel Pelourinho e o escambau, ficar isolada dos meus amigos porque agora eu sou famosinha. Que saco. Pra mim tá tudo igual, fora uns quilinhos a mais e o cabelo menos Janis Joplin. Eu cresci ali e pertenço àquilo. Cheguei lá obstinada a curtir a night como antigamente, como sempre. Foi uma sensação maravilhosa e uma viagem no tempo; revi TODOS os meus brothers das antigas. Abraços deliciosos e sinceros de gente que me viu crescer. Tava com saudade. Até de quem eu não ia muito com a cara na época, eu tava com saudade. O tempo opera milagres. E o resto das pessoas, que eu não conhecia, ficou na boa. Fora um ou dois sem noção, todo mundo entendeu quando eu dizia que: “tô em casa, quero curtir, vamo nessa! Me libere dessa porra toda aí e me pague uma cerva, na moral”. E os shows foram massa, e eu encontrei gente que não via há muito tempo, e de lá fomos todos pra uma festa pós festival. A velha frase, “hoje não”, mas Spencer merecia aquela tequila que viramos juntos. No dia seguinte teve show na Concha, e foi FODA. Fiquei orgulhosa de ver aquilo lotado, feliz de cantar com Arnaldo de novo, e emocionada de tocar a música da Úteros em minha ( nossa) terra natal, com Fábio Cascadura e Apú. Não contive as lágrimas de novo, sou chorona mesmo pronto e acabou. Mas é que é muita coisa pra aquela menininha hardcore, sonhos que nunca imaginei se tornando reais bem ali na minha frente. O público tava demais, apoteótico, e saí do palco desmilinguida e contente. Quero mais.

 

Voltando pra casa depois de mais de uma semana na estrada e seis shows seguidos, com uma mala de roupa suja, um cabelo quase rasta e um coração apaziguado.

 
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